Embora
não se possa situar com exactidão a data de achamento das ilhas, historidores
fidedignos admitem ter tido lugar entre os anos de 1460 e 1462, na sequência
de viagens de exploração da costa ocidental africana, efectuadas por navegadores
portugueses, sob a orientação do Infante D. Henrique. No regresso de uma
dessas viagens, António de Noli e Diogo Gomes encontraram, em 1 de Maio
de 1460, a primeira ilha do arquipélago a que chamaram Santiago, em homenagem
ao santo que a Igreja católica festeja nesse dia. Na mesma viagem, foram
encontradas as ilhas de Maio, Fogo, Sa e Boavista, sendo as restantes
e os dois ilhéus Branco e Raso achados por Diogo Afonso, escudeiro do
Infante D. Fernando, entre 1461 e 1462.
Apesar da proximidade da costa, as ilhas não eram habitadas aquando da
chegada dos portugueses. No entanto, devido à sua posição geográfica,
no meio do Atlântico, desde logo se tornaram ponto de paragem das armadas
para abastecimento de água e de alimentos frescos e entreposto de escravos.
A
colonização portuguesa durou cinco séculos e o movimento de luta pela
independência desencadeou-se na década de 50 deste século, tendo havido
uma aliança entre os movimentos nacionalistas de Cabo Verde e da Guiné,
de que resultou o Partido Africano da Independência da Guiné e CaboVerde
(PAIGC), fundado em 1956.
No
seguimento da revolução de 25 de Abril de 1974, as autoridades portuguesas
encetaram um processo de liberatação das colónias, em conjugação com os
representantes locais. Neste contexto, realizaram-se eleições para a Assembleia
Nacional Popular de Cabo Verde, em 30 de Junho de 1975, em que só o PAIGC
foi autorizado a concorrer, de que resultou uma administração provisória,
tendo a independência do País sido declarada a 5 de Julho do mesmo ano.
O
primeiro Presidente da República foi Aristides Pereira, Secretário Geral
do PAIGC, e o Governo então formado foi chefiado pelo Comandante Pedro
Pires. Em 1980, o PAIGC foi constitucionalmente designado como único partido
legal e os projectos de unificação com a Guiné-Bissau foram postos de
lado em Novembro desse ano, no seguimento do golpe de estado que afastou
Luís Cabral da presidência da Guiné-Bissau.
A
20 de Janeiro de 1981, a ala caboverdiana do PAIGC realizou um congresso
extraordinário, de que resultou a alteração da designação do partido para
Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV). O sistema de
governo unipartidário manteve-se até Setembro de 1990, mas as políticas
seguidas desde a independência foram pragmáticas, orientadas para a gestão
dos problemas de escassez da economia, sem criar desequilibrio graves
a nível das contas externas.
Em
meados da década de 80, elementos não afectos ao PAICV tinham começado
a desempenhar funções públicas proeminentes e alguns empresários e intelectuais,
não filiados no partido, foram eleitos para a Assembleia Nacional Popular,
em Dezembro de 1985. O controle da economia foi flexibilizado para permitir
alguma iniciativa privada e o governo introduziu incentivos no sentido
de encorajar caboverdianos residentes no estrangeiro a investirem no seu
País de origem, embora com resulados mitigados.
No
entanto, as movimentações tendentes a abrandar o monopólio político do
PAICV só deram fruto substancial ao início de 1990, quando Cabo Verde
começou a ser influenciado pelas alterações políticas verificadas nos
países de Leste Europeu. Neste contexto, criaram-se condições para a supremacia
das teses reformistas no interior do regime e o reconhecimento da oposição
residente no País e no seio das comunidades emigradas.
Em Fevereiro de 1990, Cabo Verde tornou-se um estado multipartidário,
após a aprovação, pela Assembleia Nacional Popular, de uma emenda constitucional
abolindo o monopartidarimo e depois de o Conselho Nacional do PAICV, reunido
na cidade da Praia, ter decidido enveredar pelo multipartidarismo. As
eleições legislativas, realizadas em 13 de Janeiro de 1991, foram as primeiras
da África lusófona em que particiaram diversos partidos, tendo saído vencedor
o Movimento para a Democracia (MPD), com 62% dos votos e 56 do 79 assentos
parlamentares, sendo os restantes 23 lugares da Assembleia Nacional ocupados
por 22 eleitos do PAICV e 1 independente.
Em
17 de Fevereiro de 1991, António Mascarenhas Monteiro venceu as eleições
presidenciais, com 75% dos sufrágios e o apoio do MPD, derrotando o então
presidente da República, Aristides Pereira, apoiado pelo PAICV. A tomada
de posse do presidente da República ocorreu em 22 de Março de 1991.
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